Mulheres e violências: os dados da pesquisa DataSenado/2017.

O resultado da última pesquisa DataSenado* sobre a violência doméstica e familiar contra as mulheres no Brasil foi divulgado no dia 07/06.  O estudo chama atenção para o aumento do número de mulheres que declaram ter sofrido violência, o qual passou de 18%, em 2015, para 29%, em 2017. Uma das interpretação desse aumento mostra o reconhecimento gradual da violência doméstica e familiar como uma questão de interesse público, e não como assunto privado, incentivado por movimentos da sociedade civil, projetos sociais, Organizações Não Governamentais (ONG´s) e Coletivos Feministas.

 O acesso às estatísticas da violência contra as mulheres possibilita a elaboração de medidas de enfrentamento, uma vez que permite conhecer os dados desse fenômeno estrutural, a fim de superar as desigualdades econômicas, sociais, de gênero, raça e etnia, levando em consideração as especificidades locais e regionais. E, nesse sentido, os dados da Pesquisa DataSenado destacam a importância do reconhecimento do peso do racismo na violência contras as mulheres para formulação de políticas públicas mais eficazes, já que mulheres negras são as mais atingidas pela violência:

 

Mulheres

Violência Física

ViolênciaSexual

Negras

74%

27%

Brancas

57%

11%

 

        Fonte: Pesquisa DataSenado* – Junho/2017

 Corroborando com o resultado das estatísticas que mostram as mulheres negras na faixa de maior índice de violência de gênero e contra a mulher, a feminista negra Sueli Carneiro afirma que há um contingente enorme de mulheres que as políticas públicas não alcançam, haja vista as diversas realidades das mulheres.

 Historicamente, as assimetrias sociais impõem às mulheres negras um cotidiano de múltiplas violências e, por isso, políticas públicas generalizantes não contemplam as distintas vivências femininas.

 Todos os mecanismos de dominação – sejam sociais, políticos, morais, sexuais e/ou religiosos – os quais preservam a submissão e o controle sobre corpos e mentes das mulheres, são ainda mais realçados quando a cor da pele representa o instrumento simbólico que justifica discriminações e subalternidades. Ser mulher e ser negra é estar duplamente implicada às possibilidades de exclusão, submissão e dominação de uma sociedade fortemente marcada pelo poder do patriarcado.

 

Érika Oliveira Amorim – Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em História das Relações Políticas da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Membro do Laboratório de Estudos de Gênero, Poder e Violência (LEGPV). Professora do Curso de História da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), Unidade Carangola. E-mail: erika.amorim [at] uemg.br

 

*O relatório da Pesquisa DataSenado está disponível no link: http://agenciapatriciagalvao.org.br/wp-content/uploads/2017/06/DataSenado_RelatorioVDFCM2017_vfinal.pdf               

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