Tradição e Costumes

Estudos sobre tradição e costumes mostram de alguma maneira a dificuldade em formular uma definição precisa para os termos. O significado mais preciso para “tradição” define-se por ser uma prática fixa, normalmente formalizada, que se impõe pela repetição de qualquer prática social, por conveniência e para maior eficiência, que gera certo número de convenções. Quanto ao termo “costume”, entende-se a transmissão de hábitos históricos e a variabilidade do direito fundado ao longo do uso. Assim, tradição e os costumes exerceram forte interferência nos processos de união entre um homem e uma mulher que, ainda hoje nada parece mais tradicional e ligado a um passado imemorial do que o atrelamento da mulher à família e ao casamento.

Aspectos culturais, materiais e espirituais, transmitidos oralmente por meio de gerações, como hábitos, usos e costumes, perpetuaram-se no princípio de que a mulher deve ser preparada para o casamento, como um argumento básico para nortear a divisão manifesta do sexismo que atribuiu a cada pessoa papéis e modelos de comportamentos pré-determinados de acordo com seu sexo. Assim, como ainda se mantém o costume de entender que os homens “nunca” fraquejam, têm “naturalmente” capacidade de gerir seu próprio sustento e se afirmam em sua “superioridade”, se entende que as mulheres, mesmo aquelas que trabalham e sustentam a si e à sua propria família são “naturalmente” dependentes (nem que seja emocionalmente) e dóceis.

Em sentido restrito, esse entendimento é perpetuado como tradição dentro das famílias, formando vínculos da criança aos costumes de seus antepassados e do conjunto de conhecimentos e preconceitos acumulados. Por referir-se ao passado, o processo de formalização e ritualização dos conhecimentos é caracterizado normalmente pela imposição da repetição. E, no processo de acumulação de tradições as crianças remedam os adultos e essa imitação é tão poderosa que chega a superar qualquer técnica adulta para explorá-la. O certo é que a criança ao entrar em contato com os adultos absorve tradição, não conseguindo escapar de incorporar costumes.

Geralmente considerados como valores sociais dignos de aceitação, os comportamentos tradicionais são aventados como fonte de legitimidade para perpetuar conceitos que interessam à coesão de determinados grupos. Reservada aos costumes que se relacionam à grandeza no passado, a tradição normalmente detém um lugar especial entre as convenções que são os pilares das culturas humanas.

O patriarcado é, longe de qualquer dúvida, o termo mais representativo do domínio cuja legitimidade se baseia na tradição, o que refroça a ideia de que as tradições antigas se tornaram costumes que ocupam mais espaço no dia a dia das pessoas do que as tradições inventadas nos séculos XIX e XX.  

 

Profa. Dra Maria Beatriz Nader

Coordenadora do LEG/UFES

 

 

 

 

 

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